Bem, eu não. He will. Nos conhecemos no trem noturno de Barcelona à Madrid. Não era nada elegante como essa frase nos faria pensar. Estar na cafeteria do trem, lendo - ironia - Night train to Lisbon, fez com que eu me sentisse figurante de Tudo Por Uma Esmeralda, ou algo do gênero. Entre um guapa e outro de completos desconhecidos que eu tentava ignorar, achei um cantinho, e até tentei puxar assunto com um espanhol. Tenho que admitir que admirar aquela fauna humana (o que me inclui) era divertidíssimo, e mal conseguia me concentrar no livro, entre rascunhar alguns personagens e escutar as conversas alheias, em pelo menos três idiomas diferentes (que eu entendesse). E foi então que entrou em cena aquele tipo com pinta de figurante de Braveheart.
Acompanhado de um amigo holandês, ia para Pamplona para as festas de San Firmín, e desceria no meio da noite em Zaragoza. E foi isso mesmo que aconteceu, mas não sem que antes os dois me pegassem escutando a conversa deles e me convidassem para me juntar ao papo, rirmos a noite toda, conhecer a todos na cafeteria, desenhar, contar histórias, e todas as coisas que em geral acontecem em filmes... Tudo terminou em uma longa despedida numa plataforma de trem, por volta das 3h da madrugada, enquanto os fiscais do trem assistiam achando tudo lindo, e o amigo holandês nem tanto.
Agora esse irlandês, com o cabelão pegando fogo, me avisa que chega amanhã de manhã a Madrid, numa viagem de um total de 14 horas, entre ida e volta, para passar menos de dois dias aqui. Só pra me ver. Ansiosa, eu? Imagina...
Mas no final das contas, é isso mesmo que todas queremos, não é mesmo? Vê-los movendo céus e terras se estão interessados, correr atrás do que se quer. Superman fazendo o tempo voltar pra ter a Lois. É tonto, é bobo, pode até ser sexista. Mas, puxa, faz um bem danado!
Música do dia: "I Drove All Night", Roy Orbison
Apesar de curtir um montão a Cindy Lauper, eu queria o vídeo da versão original do Roy Orbison, que é minha favorita. Mas como não encontrei, e eu não consigo pensar em uma trilha melhor pra essa história...
Não fui buscar a imagem, simplesmente chegou à mim, como tantas outras coisas. Mas no minuto que a vi, lembrei de vários momentos da minha vida, de várias pessoas que pessoas que fizeram com que eu me sentisse assim.
Quando arrumava a mala para vir a Barcelona, na quarta passada, no último momento troquei o livro que ia trazer. Deixei o On narative que estava pronta para começar em casa, porque deu uma vontade louca de ler literatura. Na minha estante encontrei um paperback que havia comprado há muito tempo em Londres, e nunca li. E foi assim que comecei a ler Night train to Lisbon, de Pascal Mercier. Nao só me caiu perfeito pela paixao pelas viagens de trem, como também me chegou nessa fase da vida em que a minha idéia de casa, cada vez mais é o português. Mais que um local, lar se tornou para mim uma idéia associada à pessoas específicas e ao som da minha própria língua. Quem nao entendeu isso nao compreende a solidao de nao falar o próprio idioma. O que nao encontro palavras para dizer é que nao estou me referindo à viver em um lugar onde nao se fala o idioma. Eu falo bem, me comunico muito bem aqui, e em mais de um idioma. Mas... falar português me da sensaçao de casa, de intimidade, de ser eu mesma. Mas nao tenho idéia - para além dos clichês - de como deve soar o português para outros. E folheando o livro, me deparo, logo no começo, com a idéia que motiva toda a história:
""What's your mother tongue?" he had asked her just now.
""Português," she had answered.
Thw o she pronounced surprisingly as a u, the rising, strangely constrained lightness of the é and the soft sh at the end came together in a melody that sounded much longer han it really was, and that he could have listened to all day long." (p.7)
E eu fico desejando que seja exatamente assim que soe cada palavra que eu digo....
Perdi o trem ontem.... nao havia opçao de ônibus, tudo lotado... hoje, aviao e AVE a preços proibitivos.... Trabalhando desde a casa da prima, pra tentar nao fazer tao feio. E a vergonha de explicar que tudo isso só porque pegamos o metrô na direçao contrária...? Saio correndo pra Sants pra ver se garanto minha vaga no de hoje, que sobram apenas 24, diz a mocinha da renfe...
Barcelona, sol, praia, shows, e resolvemos também redecorar e fazer faxina na casa da prima Dani. Café da manha no balcao tomando bellinis com cava geladíssima, e agora doses de Grey Goose ouvindo Queen...
Assinei hoje contrato com o museu, pelos próximos 11 meses, não nove como esperava inicialmente. Melhor notícia que essa? Além do tempo de trabalho também aumentaram o pagamento proposto. Pra comemorar fiz as malas e parto hoje, estreiando no AVE, para Barcelona. Amanhã é o segundo concerto do U2 e eu decidi ontem que ia. Back to my life!
Tem pouco tempo que o Fred me convenceu a começar a mostrar meus desenhos, fazendo algumas ilustrações para o Vladivostok. As coisas foram crescendo a partir daí, e hoje estréio na Ilus3, produzindo estampas para as camisetas lindonas deles!
Essa aí é a primeríssima ilustra a ser vendida, e estou super orgulhosa! Visitem o site e vejam todas a coleção incrível que eles têm!!